Salário mínimo teve 77,1% de reajuste nos governos do PT, contra 0% na gestão de Bolsonaro. Sem ter apresentado melhora real na economia em quatro anos, Guedes mente para confundir
Por Patrick Guimarães
A frase do ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, ao fazer um comparativo entre o governo que representa e o do Lula, soou como uma verdade que estava armazenada no subconsciente do ministro e acabou saindo “sem querer”. De fato, ninguém diz uma asneira dessa por simples descuido. Existe um fundo de verdade.
“Eu, se fosse o Bolsonaro, diria: tudo o que o Lula fizer, eu faço mais. Por quê? Porque nós roubamos menos”, esbravejou Guedes. Apesar de se corrigir logo em seguida dizendo “nós não roubamos”, não adiantou, acabou colocando uma “pulga atrás da orelha” dos brasileiros.
A polêmica surgiu após questionamento feito pelo portal G1 sobre a promessa de isentar do imposto os trabalhadores com renda de até R$ 6 mil mensais. Lula prometeu tal medida para pessoas que ganham acima dos R$ 5 mil.
Guedes falou sobre o salário mínimo e prometeu reajuste acima da inflação no ano que vem, além de aumento real de aproximadamente 2% no salário dos servidores públicos. Entretanto, não explicou porque não houve nenhum reajuste em todo governo Bolsonaro, ignorando a queda acentuada no poder de compra da população.
Nesse contexto surgiu a frase infeliz, porém sincera, do ministro da Economia, alegando que supostamente Lula não conseguirá cumprir suas propostas porque rouba muito, enquanto o governo Bolsonaro “rouba menos”, por isso “sobraria” mais dinheiro.
Pensamento absurdo que muitos não enxergam
“Quem rouba não consegue pagar muito. Então, o que acontece? Se você pagar um salário mínimo de R$ 1.200, eu pago R$ 1.400. Se ele paga R$ 1.400, eu pago R$ 1.500. Se o Bolsa Família for de R$ 6 mil, eu pago R$ 7. Se você dá uma isenção, vira uma disputa política de ver quem chuta mais alto”, afirmou Guedes.
Salário mínimo teve reajuste de 77,1% entre 2003 e 2016
Cabe destacar que foram nos governos Lula e Dilma que o salário mínimo teve seu maior aumento. Em 2006, Lula conseguiu aprovar no Congresso uma regra de valorização permanente do salário mínimo até que se alcançasse o valor estabelecido desde 1936, pela Lei n.º 185. Desta forma, uma remuneração cujo valor garantisse a sobrevivência de trabalhadores urbanos e rurais. Isso foi reiterado sucessivamente pela CLT em 1943, pela Constituição de 1946 e, finalmente, pela de 1988, que incluiu na lei a sobrevivência da família, e não apenas do trabalhador.
Entre 2003 e 2016, o reajuste somado foi de 77,1%. Bolsonaro em quase quatro anos não deu nem 1%. Vale a reflexão sobre os olhares econômicos de ambos.
Mentiras e discursos de ódio que confundem
Iludidos e acomodados com a esperança depositada em Bolsonaro sobre a volta de um Brasil do passado, a maioria dos eleitores do presidente estão vivendo em um mundo que não volta mais. O desafio a partir de agora é construir um novo futuro e garantir uma sociedade mais justa e digna para todos os brasileiros, sem exceção.
Em seu governo, Bolsonaro conseguiu colocar os brasileiros uns contra os outros; perder credibilidade internacional; contribuir para a volta da fome e miséria; desmantelar setores indispensáveis para o desenvolvimento da nação; como saúde, educação, ciência e programas sociais; incentivar discursos de ódio, racismo e preconceito, sobretudo contra os pobres (maioria da população do país), e minorias como indígenas e a comunidade LGBTQI+.
Apesar de somente ter concluído algumas obras projetadas nos governos do PT, utiliza tais feitos em sua base de mentiras. Não criou ou gerou nenhum avanço para a população, seja estrutural, social ou na segurança pública.
O desastre se completa com a tragédia das 700 mil mortes para a covid-19, impulsionadas pela descrença na ciência e o olhar capitalista exacerbado imputados por Bolsonaro.
Orçamento secreto, enriquecimento ilícito próprio e de seus familiares, compras de milhões em imóveis à vista, sigilo de 100 anos sobre suas ações e gastos frente à presidência. Outros temas polêmicos de um governo que não mostrou a que veio, além de buscar enfraquecer a democracia e confundir os brasileiros. Felizmente, mais da metade da população já enxergou que está na hora de Bolsonaro já ir embora.