Mensagens de celular revelam agressões sofridas por Henry Borel antes de sua morte

Foto: Divulgação/Reprodução
Facebook
Twitter
WhatsApp

Caso Henry Borel: Delegado revela detalhes de suposta “farsa” em julgamento

Durante uma sessão do julgamento no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação da morte do menino Henry Borel, destacou o papel crucial de mensagens de celular na descoberta de uma possível “farsa” em torno do caso. A criança, de apenas quatro anos, faleceu em março de 2021.

Nos depoimentos, Damasceno explicou que as investigações começaram a partir de registros que chegaram à delegacia como um acidente doméstico. Contudo, o laudo cadavérico indicou lesões severas no corpo de Henry, levando a reabrirem as investigações sob outra perspectiva.

À época dos fatos, Damasceno liderava a 16ª Delegacia Policial, localizada na Barra da Tijuca. Jairo Souza Santos Júnior, mais conhecido como Dr. Jairinho, era o padrasto de Henry e na ocasião era vereador em seu quinto mandato. Junto com Monique Medeiros, mãe de Henry, ele é acusado de envolvimento na morte do menino.

O delegado relatou que inicialmente o casal afirmou que as lesões de Henry foram causadas por uma queda de cama, alegação que se mostrou inconsistente após uma reconstituição realizada na residência do casal. Segundo Damasceno, a perícia, assinada por oito peritos, apontou que as lesões eram incompatíveis com acidente doméstico e resultaram na morte da criança.

As mensagens de celular analisadas forneceram evidências de agressões prévias contra Henry, em contradição com os depoimentos iniciais da babá, Thayná de Oliveira Ferreira. Conversas recuperadas indicaram episódios de violência, como Henry ter sido trancado em um quarto com Jairinho e emergido com dores.

Além disso, o delegado afirmou que Monique Medeiros tinha conhecimento das agressões, conforme demonstrado nas trocas de mensagens. As conversas revelaram ainda que Monique não mantinha uma postura submissa em relação a Jairinho, chegando a ameaçá-lo em algumas ocasiões.

No Tribunal do Júri, Dr. Jairinho e Monique Medeiros estão sendo julgados por múltiplos crimes, incluindo homicídio qualificado. A expectativa é que o julgamento dure cinco dias, com depoimentos de testemunhas de acusação e defesa já em andamento.

Durante a audiência, foi revelado que Jairinho teria tentado impedir a autópsia de Henry, pressionando o Hospital Barra D’Or a certificar a morte sem encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal. Segundo o delegado, Jairinho usou sua influência para esse fim, realizando ligações e enviando mensagens ao hospital. O julgamento contará ainda com a avaliação de casos de possíveis agressões de Jairinho a outras crianças.

Dentre os desdobramentos, um dos advogados de defesa, Sérgio Figueiredo, anunciou sua renúncia após a recusa do tribunal em adiar o julgamento devido à hospitalização de outro membro da equipe jurídica. O andamento do caso continua, com a decisão final dependendo do voto de sete jurados.


Acompanhe O Contexto para mais notícias em tempo real.

Leia Mais