Evento de Eduardo Paes em São Gonçalo levanta questionamentos sobre mobilização, transporte e supostas promessas a participantes

Foto: Divulgação/Reprodução
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A presença do pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), em um encontro de lideranças políticas, realizado na manhã deste sábado (13/06), no Clube Mauá, em São Gonçalo, passou a ser alvo de questionamentos após relatos de mobilização de militantes de outras cidades, uso de ônibus fretados e supostas promessas de pagamento, lanche e distribuição de camisas a participantes.

O evento, realizado em um dos espaços mais tradicionais de São Gonçalo, reuniu militantes e lideranças ligadas a partidos aliados, como PT, PDT e PCdoB. No entanto, registros feitos no local e nos arredores indicam que parte expressiva do público teria vindo de municípios vizinhos, especialmente Maricá e Niterói, em ônibus e carros de passeio. Os veículos ficaram estacionados em trecho da Rua Dr. Feliciano Sodré, entre o Rodo Shopping e o Clube Mauá.

A movimentação levanta uma pergunta central: quem organizou e custeou o deslocamento dessas pessoas até São Gonçalo? Também não está claro se houve contratação formal de transporte, quem pagou pelos ônibus e se os custos serão declarados pelos responsáveis pelo ato político.

Além da presença de caravanas, relatos registrados após o evento apontam para uma possível promessa de vantagem material a participantes. Segundo pessoas que estavam em um dos ônibus no retorno para Maricá, teria sido prometido o pagamento de R$ 50, além de lanche e uma camisa com as cores da Seleção Brasileira. Parte dos participantes, no entanto, afirmou não ter recebido o que teria sido combinado, o que gerou reclamações e revolta.

“Isso aí é esculacho. Os caras ganham blusa, ganham 50 reais e a gente fica na merda”, afirmou um homem dentro de um ônibus, durante a volta. Em outro trecho, uma mulher que aparenta ter participado da mobilização do grupo reclamou da situação: “Eu botei minha cara lá em Itaipuaçu… o pessoal também fica me perguntando. Vai queimar meu filme pro pessoal, não vou arrumar mais ninguém”.

As falas indicam que havia expectativa de recebimento de algum tipo de benefício pela participação no encontro. Outra mulher reclamou da suposta promessa não cumprida: “Eu só vim por causa da blusa do Brasil, que meu filho tá em casa esperando a blusa do Brasil chegar pra ele”.

 

Assista o vídeo:

Caso seja confirmado que houve oferta de dinheiro, lanche, camisa ou qualquer outro benefício material condicionado à presença no evento, os organizadores poderão ter que prestar esclarecimentos à Justiça Eleitoral. A legislação eleitoral veda práticas que possam desequilibrar a disputa, especialmente quando há uso de estrutura financeira para promover candidatura, ainda que em fase de pré-campanha.

Outro ponto que merece apuração é a finalidade do encontro. Embora tenha sido apresentado como reunião de lideranças políticas, o ato teve Eduardo Paes como principal figura pública e ocorreu em um município considerado estratégico para a disputa estadual. São Gonçalo também é base política de Douglas Ruas, presidente da Alerj e provável adversário de Paes na corrida pelo Palácio Guanabara.

A tentativa de demonstrar força política no município, com apoio de militantes vindos de fora, pode ser interpretada como estratégia para criar uma imagem de adesão local. A dúvida é se essa mobilização ocorreu de forma espontânea ou se foi artificialmente estimulada por transporte, alimentação, camisas e promessa de pagamento.

Do ponto de vista eleitoral, três pontos precisam ser esclarecidos: se houve pedido explícito ou indireto de voto durante o evento; se houve distribuição ou promessa de brindes; e se houve pagamento ou vantagem material a participantes. Se confirmados, esses elementos podem caracterizar propaganda eleitoral antecipada, uso de meio vedado ou até abuso de poder econômico, dependendo da gravidade, da finalidade e da comprovação da participação dos organizadores.

Até o momento, os relatos apresentados indicam a necessidade de investigação. Os organizadores do evento devem explicar quem financiou a estrutura, qual foi o critério para o transporte de militantes de outras cidades e se houve, de fato, promessa de pagamento, lanche ou entrega de camisas aos presentes.

Em ano eleitoral, atos de pré-campanha exigem transparência. Quando um evento político depende de caravanas, benefícios materiais e reclamações de participantes que dizem não ter recebido o combinado, o caso deixa de ser apenas uma agenda partidária e passa a exigir respostas públicas.

 

Imagens: Reprodução/Redes Sociais

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