O caso envolvendo a Creche Cantinho do Céu, em São Gonçalo, ganhou nova dimensão após alegações de que pertences de crianças teriam sido descartados sem aviso. Segundo mães, objetos pessoais dos alunos foram jogados no lixo e expostos à chuva, após denúncias de maus-tratos contra crianças na instituição.
Rayssa Catarina do Nascimento, mãe de uma das crianças, relatou que a informação sobre os pertences descartados foi compartilhada em grupos de responsáveis no dia 4 de junho. As imagens mostravam objetos como roupas e brinquedos em sacos de lixo deixados na calçada do imóvel que abrigava a creche. Ela acredita que o proprietário do imóvel, ao tentar alugá-lo novamente, teria descartado os itens após possível autorização da dona da creche.
Os responsáveis haviam tentado recuperar os bens antes que fossem descartados, enviando mensagens à direção da creche durante o mês anterior, mas, segundo Rayssa, não obtiveram resposta.
Muitos responsáveis pagavam mensalidades de até R$ 450 e não foram ressarcidos após as atividades da creche serem encerradas. Rayssa mencionou que a dona da creche prometeu devolver os valores para que os responsáveis pudessem matricular as crianças em outras instituições.
Após o fechamento da creche, Rayssa relatou que seu filho, uma das vítimas nas imagens de agressão, está sem acesso a educação e apoio psicológico, enfrentando dificuldades devido à falta de vaga escolar. A situação impacta sua rotina de trabalho e ela enfrenta desafios em encontrar uma nova instituição que atenda às necessidades específicas de seu filho, que requer uma mediadora.
A Secretaria Municipal de Educação de São Gonçalo informou que as matrículas para vagas disponíveis na rede seguem abertas, mas não há prioridade na distribuição. O Conselho Tutelar requisitou serviços da Secretaria de Educação e orientou que a Defensoria Pública fosse acionada. Em relação ao apoio psicológico, o Conselho informou que o caso foi encaminhado ao Núcleo de Atenção à Criança e ao Adolescente.
A creche, conforme nota da Prefeitura de São Gonçalo divulgada em 18 de maio, operava irregularmente e sem autorização para educação infantil. A unidade é classificada como clandestina e o caso está sob a investigação da Polícia Civil na 74ª DP.
As denúncias iniciais apontam para agressões físicas e negligência. Mães relataram mudanças comportamentais em seus filhos, que apresentavam marcas e medo. Vídeos e relatos que circularam entre os responsáveis descrevem ações como tapas na cabeça e castigos.
Presenças de estrutura inadequada na creche também foram destacadas por antigos funcionários, indicando falta de itens básicos de conforto e higiene.
Testemunhas mencionaram condições precárias, onde crianças dormiam sem colchões adequados e o espaço era inadequado até para adultos. Relatos incluíram a utilização de sabonete líquido para lavar utensílios devido à falta de detergente, evidenciando más condições de higiene.
A investigação policial continua com a coleta de depoimentos e outras diligências para esclarecer os fatos em torno das acusações.
Acompanhe O Contexto para mais notícias em tempo real.



